Salve-se quem puder porque a Prefeitura não vai!

Campo Grande descobriu na última semana que, para a prefeita Adriane Lopes, o “ajuste fiscal” tem uma diretriz muito clara: cortar de quem mais precisa e engordar o próprio bolso. Em um movimento que só não surpreende quem já perdeu a fé em políticos locais, Adriane vetou o repasse de R$ 8,7 milhões para entidades que atendem crianças, adolescentes, pessoas com deficiência e famílias vulneráveis. Tudo isso enquanto garante para si um aumento salarial de 66,77%. Prioridades.

Sim, enquanto 20 mil pessoas podem ficar sem atendimento básico, a prefeita terá seus vencimentos elevados de modestos R$ 21 mil para singelos R$ 35 mil mensais. Um sacrifício pessoal é preciso, não é mesmo? Afinal, ninguém consegue viver decentemente hoje em dia com apenas vinte mil reais.

E não para por aí: os secretários municipais também serão presenteados com um aumento de 159% no salário, de maneira escalonada até 2027. A crise é para todos, dizem, mas aparentemente alguns sofrem de maneira mais “confortável”. Ah, e os auditores, fiscais, odontólogos e médicos com salários acima de R$ 20 mil também verão gordas cifras extras no contracheque. Tradição de solidariedade seletiva.

A desculpa esfarrapada para o veto? O famigerado “risco de comprometer a prestação de serviços essenciais”. Claro! Nada mais essencial que assegurar a elevação dos altos salários da elite funcional. Se para isso for necessário fechar centros de assistência e deixar crianças e idosos à própria sorte, que seja. Economia é uma arte de prioridades.

Os recursos vetados foram aprovados em 345 emendas parlamentares, devidamente previstos no orçamento de 2025. Mas não importa: um parecer da Sefaz bastou para atropelar a vontade do Legislativo. Afinal, quem precisa de democracia quando se pode ter tecnocracia a serviço da conveniência?

Enquanto isso, quem toca as entidades — como a do Bairro Lajeado, que acolhe diariamente 115 crianças oriundas do antigo lixão — está às moscas. Com o veto, não faltará apenas atendimento: faltarão alimentos, professores de balé, de educação física, de música. Mas quem liga para projetos sociais quando o próprio aumento está garantido, não é?

Vereadores agora tentam a última cartada: derrubar o veto. O presidente da Câmara, Epaminondas Neto, o Papy, criticou a decisão e cobrou alternativas da prefeitura. Em tom quase suplicante, pedem que o Executivo tenha ao menos a decência de cumprir o básico. Expectativas baixas, mas ainda assim frustradas.

Mesmo que o veto caia, o fantasma da inadimplência paira. As entidades vivem com dívidas acumuladas — trabalhando às cegas na esperança de que a boa vontade governamental venha algum dia. Mara Lúcia Menezes, do Comitê de Cidadania dos Funcionários do Banco do Brasil, resumiu a ópera: o dinheiro precisa ser repassado “urgentemente”. Urgência que parece não caber na agenda da nova elite salarial do Paço Municipal.

No fim das contas, o recado é claro: se você depende de assistência social, procure outro lugar. Campo Grande já escolheu quem merece cuidado. E não é você.

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