
A federação entre PP e União Brasil em Mato Grosso do Sul veio como uma bomba de efeito duplo: enquanto dá gás novo ao projeto político de Rose Modesto, arrasta Adriane Lopes para um apagão de protagonismo cada vez mais visível — e, ao que tudo indica, irreversível. Com a chancela de Ciro Nogueira e a condução de Tereza Cristina, o recado é claro: a prefeita de Campo Grande virou figurante no roteiro onde antes sonhava ser protagonista.
A cereja do bolo azedo é ver sua principal adversária política ocupando o mesmo espaço partidário, mas em posição de destaque. A simples menção de Rose Modesto em qualquer articulação de futuro já é suficiente para acender o alerta vermelho no gabinete da prefeita. Afinal, perder espaço para uma ex-adversária que saiu fortalecida das urnas — mesmo sem vencer — é um golpe no ego e na já combalida força política de Adriane.
Não bastasse o esvaziamento interno, a prefeita ainda carrega nas costas a herança maldita de uma gestão marcada por denúncias de corrupção eleitoral, caos na saúde, lama nas ruas e crateras na credibilidade. Enquanto tenta se equilibrar entre processos e promessas não cumpridas, Adriane assiste de camarote ao avanço de Rose no xadrez político estadual — e sem poder mover uma peça.
A prefeita ainda tenta se manter na superfície, mas o barco faz água por todos os lados. A influência do marido, deputado Lídio Lopes, e de assessores que mais atrapalham do que ajudam, só servem para acelerar o naufrágio. Se algum dia houve plano para voos maiores em 2026, é melhor procurar uma pista de pouso, porque decolar, já não vai mais.
O quadro se agrava com o aumento da rejeição dentro do próprio campo político. Adriane Lopes, que sonhava comandar o PP em Campo Grande, agora precisa torcer para não ser escanteada de vez — ou substituída sem cerimônia. A federação com o União Brasil veio como um lembrete cruel: quem manda mesmo são os caciques de verdade, não os figurantes de ocasião.
Enquanto isso, Rose Modesto, mesmo fora do Executivo, age como quem nunca saiu do palco. Conversa, articula, cresce. O que ela perdeu nas urnas em 2024, ganhou em respeito político e perspectiva de futuro. Já Adriane, mesmo sentada na cadeira de prefeita, assiste a tudo de um canto cada vez mais sombrio — e irrelevante.
É como se o universo político estivesse apenas esperando o relógio correr para ver o desfecho inevitável: o fim de uma liderança que não se sustentou nem pela obra, nem pela palavra, nem pela articulação. A federação só serviu para oficializar o que já era percebido nos bastidores: Adriane Lopes virou um peso morto no projeto de poder do PP.
No xadrez partidário, Rose é torre em ascensão. Adriane virou peão encurralado — e sem direito a promoção. O tabuleiro está armado. A jogada, definida. E para a atual prefeita, resta apenas tentar evitar o xeque-mate. Mas até isso parece improvável.
No final, a pergunta que ecoa pelos corredores da política local é direta: quem vai avisar a prefeita que a festa acabou — e que ela ficou para trás, sozinha, limpando os confetes?