Rejeição histórica pressiona a gestão Adriane Lopes

A pesquisa do Instituto Ranking Brasil Inteligência entregou um raio X que dispensa legenda. Sessenta por cento dos eleitores de Campo Grande classificam a administração de Adriane Lopes como ruim ou péssima, apenas 12% enxergam algo ótimo ou bom, e o restante se divide entre o regular e o silêncio. É o tipo de marca histórica que nenhum gestor coloca no currículo.

O tombo não veio do nada. A cada rodada o índice piora, como se a prefeitura tivesse contratado um personal trainer para a impopularidade. A cidade encara crise na saúde, falta de remédios nos postos, buracos ressurgindo em plena estiagem e a cereja do bolo, aumento de 66% no salário da prefeita, enquanto servidores empilham três anos sem reposição inflacionária.

A gestão resolveu colorir tudo de ideologia e esqueceu o básico que ilumina sem holofote. Campo Grande mede governo por fila menor, remédio na prateleira, rua transitável e escola funcionando. Quando nada disso aparece, a hashtag vira boomerang.

Os números falam alto. Ruim ou péssimo soma 60%, cinco pontos acima de agosto e o dobro de setembro do ano passado. Ótimo ou bom caiu para 12%, onze pontos abaixo de agosto e treze abaixo de julho. Regular estaciona em 24%, aquele limbo em que ninguém bate palma, mas também não joga confete.

A desaprovação é o capítulo mais incômodo. Oitenta por cento dos campo-grandenses rejeitam a gestão, patamar que supera crises passadas e figuras que já foram alvo de vendavais políticos. Em agosto eram 72%. Em julho eram 65%. O elevador social desceu vários andares e, ao que parece, ainda não chegou ao térreo.

A aprovação minguou para 15%. Em agosto eram 24%. Em julho eram 30%. Em três meses a base que ainda dizia sim perdeu metade do fôlego. Quando o oxigênio político acaba, o discurso não reanima paciente.

Nada disso acontece em solidão institucional. A prefeita conta com o apoio do governador Eduardo Riedel e da maioria folgada da Câmara. Nem assim o humor da cidade melhora. Quando a vitrine política está cheia e a prateleira da farmácia está vazia, o consumidor escolhe a lembrança que dói menos no bolso e no prontuário.

A narrativa do salvamento judicial também não rende dividendos. A cassação por compra de votos não passou no TRE por cinco a dois, com magistrados admitindo a ocorrência, mas afastando a participação direta da prefeita. É o tipo de absolvição que não vira aplauso na fila da UPA.

A pesquisa ouviu mil eleitores entre 10 e 14 de outubro, em todas as regiões da Capital, com margem de erro de três pontos percentuais. Não é um sussurro de bolha, é um megafone estatístico dizendo que o ciclo político entrou em zona de turbulência.

Se o plano é virar o jogo, a matemática é pragmática. Menos palco e mais entrega. Ruas sem crateras, remédios no balcão, leito garantido, carreira dos servidores tratada com respeito e contas que fechem sem malabarismo. A pior notícia para a gestão é que o relógio não para. E a melhor notícia para a cidade é que ainda existe tempo para fazer o óbvio bem feito.

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