
Dois episódios marcaram a semana que antecede o feriado de Corpus Christi e deixaram evidentes os sinais de desgaste entre a prefeita Adriane Lopes (PP) e integrantes da ala mais próxima à senadora Tereza Cristina, também do Partido Progressista. O que antes circulava apenas em bastidores agora transborda pelas redes, pelos grupos de WhatsApp e, sobretudo, pela tribuna da Câmara Municipal.
O primeiro episódio foi protagonizado por Marco Aurélio Santullo, ex-secretário de Governo da gestão Adriane e membro da executiva do PP. Em um print que circula amplamente entre vereadores e lideranças políticas, Santullo aparece comentando uma foto da prefeita ao lado do marido, o deputado estadual Lídio Lopes, com a seguinte frase: “Vamos orar para ver quem vamos furtar amanhã.”
A publicação, ainda que com tom de ironia, foi lida por muitos como uma crítica ácida e pública ao casal e ao modo como a gestão municipal vem sendo conduzida.
Já o segundo recado veio com força no plenário da Câmara. Durante a votação de uma suplementação orçamentária da Prefeitura matéria polêmica e criticada por parte dos vereadores , o líder do Partido Progressista na Casa, vereador Professor Riverton, fez um discurso duro e direto:
“Eu voto por Campo Grande, mas esta Casa não é extensão do gabinete da prefeita.”
A fala, de alguém que representa a sigla da própria prefeita, foi interpretada como uma ruptura clara do alinhamento automático que antes havia entre o Executivo e a bancada do PP.
Os dois acontecimentos, num intervalo tão curto, deixaram uma mensagem evidente: há algo de azedo no núcleo político da prefeita. E o desconforto parece vir de dentro.
Seja pela condução da administração, pelas constantes críticas sobre a influência do marido da prefeita, ou pela forma como os aliados têm sido tratados, o fato é que até mesmo quadros históricos do PP já demonstram publicamente insatisfação. O momento é politicamente delicado e o distanciamento pode até ser estratégico.
PP recua ou se reposiciona?
Com a gestão de Adriane cada vez mais fragilizada, enfrentando questionamentos na Justiça Eleitoral e perdendo apoio popular em pesquisas, um eventual reposicionamento do PP pode ser uma forma de blindar a senadora Tereza Cristina de um desgaste que parece iminente. Ao se descolar de uma administração que caminha para o isolamento, a senadora preserva seu capital político e mantém sua viabilidade para disputas futuras.
O Ministério Público Federal já recorreu da decisão do TRE que absolvia a prefeita e tenta emplacar no TSE sua tese de compra de votos nas eleições de 2024. Se for bem-sucedido, o impacto jurídico e político pode ser irreversível.
Enquanto isso, a base política da prefeita balança. A oposição observa. E o eleitor, atento, começa a perceber que até dentro do seu próprio partido, Adriane Lopes já não governa com a mesma confiança nem com a mesma companhia.