
Se você acreditou que a prefeita Adriane Lopes realmente quer economizar dinheiro público, talvez seja hora de repensar. Poucos dias depois de publicar um decreto mandando cortar gastos, incluindo despesas básicas como água, luz e até copos plásticos, a administração municipal mostrou sua verdadeira prioridade: reajustar contratos de iluminação pública, garantindo um belo presente de R$ 5,44 milhões para empresas terceirizadas. Um alívio para essas companhias, um tapa na cara do contribuinte.
Os reajustes, publicados na surdina, em uma edição extra do Diogrande, atingem seis contratos com empresas que cuidam da iluminação pública. E não são reajustes quaisquer. O aumento é quase o máximo permitido por lei: entre 24,92% e 24,98%, enquanto a inflação dos últimos 12 meses foi de apenas 5%. Pelo visto, a matemática da prefeitura tem um jeito peculiar de beneficiar quem já está no lucro.
As empresas B&C e JLC, que originalmente tinham contratos de R$ 21,82 milhões, agora podem comemorar um novo faturamento de R$ 27,27 milhões. E tudo isso em menos de um ano após a assinatura dos contratos. Um feito e tanto para um governo que diz estar apertando os cintos.
O mais curioso é que, enquanto a prefeitura pedia aos servidores para economizar até nos copos d’água, os aditivos contratuais já estavam assinados desde 24 de fevereiro. Ou seja, a política de “contenção de gastos” da prefeita parece funcionar apenas para os pequenos gastos administrativos, enquanto as cifras milionárias seguem fluindo para os cofres das empresas parceiras da gestão.
A justificativa da administração municipal é um clássico do discurso vazio: disseram que o aumento se deve ao crescimento da cidade e à necessidade de atender mais demandas da população. Mas a verdade é que, no ano passado, a tarifa de iluminação pública aumentou 28,2%, fazendo com que a arrecadação da prefeitura saltasse de R$ 153,46 milhões para R$ 196,86 milhões. Com esse dinheiro extra em caixa, fica difícil justificar que o aumento nos contratos se deve a dificuldades financeiras.
Para piorar, a prefeita tenta dourar a pílula alegando que a instalação de lâmpadas de LED solar se deve ao aumento de furtos de cabos subterrâneos. Mas, se os furtos custam anualmente cerca de R$ 1 milhão, por que reajustar contratos em valores muito superiores? Parece que alguém está economizando onde não deve e gastando onde não precisa.
Não custa lembrar que essa mesma prefeitura tem sido alvo constante de críticas pela precariedade dos serviços públicos, especialmente na saúde. Falta de remédios, demora no atendimento e unidades em condições precárias são realidade diária para a população. Mas para contratos milionários, não há crise.
O caso da iluminação pública expõe o que já se tornou rotina na gestão Adriane Lopes: um governo que fala em austeridade, mas que, na prática, mantém o balcão de negócios funcionando a todo vapor. Enquanto a cidade enfrenta problemas graves, o que não falta é dinheiro para certos fornecedores.
No fim das contas, o corte de gastos promovido pela prefeitura parece ter um único objetivo: garantir que sobre mais dinheiro para as velhas prioridades. E, pelo jeito, iluminar o caixa de algumas empresas parece estar no topo da lista.