
O orçamento de 2026 apresentado pela prefeita Adriane Lopes à Câmara Municipal é um retrato fiel da sua gestão. A cidade que já enfrenta sérios problemas de infraestrutura verá os investimentos despencarem 46%, enquanto o gasto com pessoal subirá 15%, mesmo sem reajuste para os servidores. O resultado é uma Campo Grande que gasta mais para manter a máquina e entrega cada vez menos em obras.
A receita prevista é de R$ 6,9 bilhões, um aumento tímido de apenas 1,49% em relação ao ano anterior. Desde 2022 houve acréscimo de 31%, mas o salto foi engolido pelo crescimento da folha de pagamento. Hoje 52,99% da receita corrente líquida já está comprometida com salários e encargos, deixando pouco espaço para investimentos em áreas cruciais.
Curiosamente, os servidores seguem sem reajuste desde o início da gestão de Adriane. A única exceção foram os altos escalões da própria administração. O salário da prefeita subirá 66%, saltando de R$ 21 mil para R$ 35 mil. A vice-prefeita será contemplada com aumento de 100% e os secretários municipais com 159%. Enquanto isso, 30 mil servidores municipais assistem ao congelamento de seus vencimentos.
Os investimentos despencam de R$ 671 milhões em 2025 para apenas R$ 357 milhões em 2026, o menor montante dos últimos cinco anos. A queda é explicada pela escolha ideológica da prefeita de recusar recursos federais. A cidade perdeu sozinha 570 milhões em projetos do PAC porque Adriane Lopes preferiu se alinhar ao ex-presidente Jair Bolsonaro, participando de atos políticos em Rio de Janeiro e São Paulo, e evitando encontros com o presidente Lula e ministros do governo federal.
Enquanto a prefeita viaja, Campo Grande segue acumulando problemas crônicos. São mais de 60 pontos de alagamento que tornam a cidade refém das chuvas, corredores de transporte coletivo inacabados, déficit de moradias populares, falta de leitos hospitalares, ruas sem asfalto e mais de 5,6 mil crianças fora da escola por ausência de vagas em creches. A lista é longa, mas os recursos para enfrentá-la ficam cada vez menores.
A comparação histórica é cruel. Em 2021 os investimentos foram de R$ 212 milhões. Em 2022 chegaram a R$ 352 milhões. Em 2023 alcançaram R$ 426 milhões. Em 2024 ficaram em R$ 361 milhões. Em 2025 bateram recorde de R$ 671 milhões. Em 2026 despencam para R$ 357 milhões. É como se a cidade tivesse dado um passo atrás, ignorando os avanços tímidos que havia conquistado.
Na mensagem enviada aos vereadores, Adriane fala em ajuste fiscal, controle de despesas, melhoria de sistemas e até em transformar Campo Grande na Capital das Oportunidades. O discurso é recheado de promessas bonitas, mas a prática mostra outra realidade. Não há ajuste quando o que cresce é o gasto com folha e o que encolhe são as obras.
O orçamento precisa atender quem está na ponta. A ausência de remédios nos postos de saúde, a falta de especialistas e os CAPS desassistidos são sintomas de um orçamento que não atende ao básico. O que se vê é a manutenção da máquina política enquanto a população fica sem dignidade e sem serviços essenciais.
A saúde terá R$ 2 bilhões, a educação R$ 1,7 bilhão e a Câmara Municipal R$ 132 milhões para sustentar seus 29 vereadores. Os números sozinhos não contam toda a história. O que os dados revelam é que a prioridade da gestão não é resolver problemas estruturais, mas sim pagar a conta de uma máquina pública pesada e ineficiente.
Campo Grande caminha para a chamada segunda década perdida. A cidade que precisa de investimentos robustos em mobilidade, saneamento, habitação e educação vê sua chance escapar diante da escolha política da prefeita. Com obras minguadas e folha inflada, a Capital se arrisca a viver mais quatro anos de atraso.
A conta que sobra para o povo
Enquanto secretários celebram reajustes gordos, o cidadão segue preso no trânsito, alagado nas chuvas, sem vaga em creche e sem atendimento médico de qualidade. A conta da má gestão não aparece apenas no orçamento oficial, mas no cotidiano de quem vive em uma cidade que gasta mal e entrega pouco.
A prefeita Adriane Lopes insiste em vender discurso de eficiência, mas a matemática de sua administração não fecha. A cada corte em investimento, a cidade perde futuro. A cada aumento de gasto com folha, a gestão ganha peso. No fim, quem paga é sempre o contribuinte campo-grandense que vê sua cidade estagnada no faz de conta da propaganda oficial.