
A mais nova pesquisa do Instituto Ranking Brasil Inteligência escancarou o que os moradores de Campo Grande já sentem na pele: a gestão da prefeita Adriane Lopes (PP) é, para metade da população, simplesmente ruim ou péssima. Sem disfarces, maquiagem ou campanha publicitária que dê jeito, os números refletem o caos de uma administração que se arrasta entre escândalos, omissões e promessas não cumpridas.
Segundo o levantamento, apenas 25% dos entrevistados ainda consideram a prefeita como ótima ou boa. Outros 21% engolem a gestão como “regular”, talvez mais por cansaço do que por convicção. A desaprovação de 50% indica que, em Campo Grande, Adriane não conseguiu nem o benefício da dúvida: sua rejeição atinge metade da cidade.
Curiosamente, houve uma redução de cinco pontos na reprovação em relação a março (de 55% para 50%). Um alívio estatístico que se deve mais à margem de erro do que a qualquer conquista real. Até porque os principais gargalos, como o colapso da Santa Casa e a ausência de fraldas e leites para crianças com deficiência, continuam firmes na rotina do campo-grandense.
Aliás, a saúde pública virou sinônimo de descaso. A pesquisa mostra que 30,4% dos entrevistados apontam a falta de medicamentos e o caos hospitalar como o maior problema da cidade. Outros 28% reforçam a mesma queixa, citando a ausência de exames e a crise permanente na Santa Casa. Soma-se a isso o abandono de 13 ambulâncias novinhas do Samu, deixadas às traças enquanto a prefeita prefere pagar quase R$ 2 milhões pelo aluguel de viaturas de uma empresa de fora.
Na área de promessas não cumpridas, a construção do hospital municipal virou piada pronta. Sem uma pedra sequer lançada, o projeto virou mais uma daquelas promessas de campanha que somem assim que a urna é fechada. Enquanto isso, o contribuinte segue gastando do próprio bolso com médicos particulares e farmácias.
Se quiser alguma comparação política, basta recorrer às palavras da madrinha política da prefeita, a senadora Tereza Cristina (PP), que ao comentar a reprovação do presidente Lula, afirmou: “A reprovação sobe na mesma velocidade dos escândalos e da má gestão.” Troque Brasília por Campo Grande e o discurso cai como uma luva na gestão Adriane.
A prefeita, no entanto, parece contar com a fé inabalável na publicidade institucional. Com a volta das campanhas oficiais, tenta dar brilho a um mandato que, até aqui, coleciona mais manchetes negativas que realizações concretas. A esperança da prefeita é reverter os números até 2026 e ser vista como uma aliada útil nas eleições estaduais. Mas até lá, há muito estrago para consertar, e pouco tempo para mudar a percepção da população.
Enquanto isso, o campo-grandense vai sobrevivendo como pode: desviando de buracos, comprando o remédio que faltou no posto e esperando o próximo escândalo. Porque se tem algo que não falta nessa gestão, é assunto para o noticiário.