Lands dispara contra Benites e barra tentativa de “golpe” no Conselho Antidrogas

Na sessão da Câmara Municipal, o vereador Wilson Lands não economizou nas palavras para criticar a manobra que, segundo ele, tentava abrir espaço para que o secretário municipal de Esporte, Sandro Benites, assumisse a presidência do Conselho Municipal Antidrogas.

A proposta, vinda diretamente do Executivo, incluía alteração no projeto de lei para permitir que a Funesp ocupasse o posto. Lands, no entanto, viu no movimento um claro favorecimento a Benites, e tratou de colocar o assunto no campo da advertência pública.

“Quero deixar um recado bem claro para esse secretário: ele não vai fazer no esporte o que fez na saúde pública de Campo Grande”, afirmou, mirando diretamente no histórico de Benites. O tom foi de quem já viu esse filme e não pretende assistir à sequência.

Lands citou que, antes de qualquer manobra política, Benites deveria se preocupar com o que realmente é sua obrigação: os Jogos Abertos, por exemplo, que seguem longe de uma execução eficiente; ou ainda centros esportivos icônicos, como o Ginásio Guanandizão e o Parque Ayrton Senna, que, segundo o vereador, estão largados ao abandono.

O parlamentar não deixou passar a crítica à postura do secretário: “Tudo que esse senhor pega, acha que é no grito”, disparou. A frase ecoou no plenário como uma acusação direta de autoritarismo e personalismo na condução da gestão.

Outro ponto que Lands fez questão de blindar foi a educação pública municipal. Ele lembrou que a Câmara tem representantes legítimos do setor e que a pasta é tratada com seriedade, deixando claro que Sandro Benites não terá espaço para interferir como, na visão dele, já fez em outras áreas.

Se havia dúvidas sobre a tensão política, Lands reforçou a barreira: “Aqui você não vai fazer o que quer”. E, como se não bastasse, emendou com um conselho nada amistoso: “Se quiser dar palestras, como vem fazendo, procure fazer isso nos finais de semana e deixe a educação pública de Campo Grande quietinha”.

O recado final foi uma espécie de aviso de território: “Acho que tem uma coisa que você não conhece: a gente tem lado”. Em outras palavras, Lands fez questão de lembrar que, no jogo político, nem todo espaço está disponível para ser ocupado no “grito”, especialmente quando envolve interesses públicos sensíveis.

O episódio escancara o atrito crescente entre Executivo e Legislativo na Capital, em especial quando a pauta envolve nomes e cargos estratégicos. Ao que tudo indica, a tentativa de acomodar Sandro Benites no Conselho Antidrogas não apenas falhou, mas ainda rendeu ao secretário uma lista de cobranças públicas que dificilmente será esquecida.

Na prática, o discurso de Lands serviu como um freio, não apenas à manobra legislativa, mas à própria ambição política de Sandro Benites, que agora

precisará lidar com um novo obstáculo: a resistência aberta de parte da Câmara a qualquer avanço seu sobre áreas que não lhe pertencem.

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