
Em Campo Grande, quem depende da saúde pública precisa contar com a sorte – e, no caso dos diabéticos, a sorte já acabou faz tempo. Há dois meses, a prefeitura simplesmente parou de fornecer fitas para medir a glicemia, deixando milhares de pacientes sem a mínima condição de monitorar seus níveis de açúcar no sangue. E o pior? Nenhuma previsão de normalização do fornecimento.
Mas calma, o enredo da tragédia tem um toque ainda mais perverso. Os aparelhos distribuídos pela prefeitura são de fabricação chinesa, e as fitas compatíveis não são vendidas em farmácias. Ou seja, mesmo que o paciente tenha dinheiro para pagar do próprio bolso, não há onde comprar. A prefeitura entregou um equipamento inútil e agora lava as mãos diante do desespero de quem precisa dele para sobreviver.
Para um diabético, medir a glicemia não é luxo, é questão de vida ou morte. A recomendação médica é de, no mínimo, seis medições por dia para garantir o controle adequado da doença. Sem essas medições, o paciente pode aplicar insulina em excesso ou em falta, podendo ter um colapso ou até chegar ao óbito. Mas parece que para a gestão de Adriane Lopes, isso é só um detalhe insignificante.
E onde está a solução para esse problema? Ninguém sabe, ninguém viu. A Secretaria de Saúde simplesmente ignora os questionamentos e se recusa a dar qualquer previsão de regularização. Enquanto isso, os pacientes são obrigados a se virar como podem, apelando para doações, reutilizando fitas (o que é um risco enorme) ou, pior, deixando de medir a glicose e jogando a própria saúde na roleta russa da irresponsabilidade pública.
O desleixo da prefeitura não é novidade, mas mexer com a vida de diabéticos é um novo nível de crueldade. Estamos falando de uma doença crônica, que exige monitoramento contínuo e rigoroso. Para essas pessoas, a falta das fitas não é apenas um incômodo, é uma sentença de risco permanente.
Curiosamente, a prefeitura nunca se atrasa quando o assunto são contratos milionários, aumentos generosos para prestadores de serviço e reajustes bem planejados para fornecedores de iluminação pública. Mas, quando se trata de garantir algo tão básico quanto um insumo essencial para diabéticos, o dinheiro parece desaparecer no ar.
A realidade da saúde pública em Campo Grande é essa: os doentes que esperem, os necessitados que sofram e a população que se vire. Enquanto isso, Adriane Lopes segue com seu discurso de “gestão eficiente”, ignorando o caos nas unidades de saúde, a falta de medicamentos e, agora, o abandono completo dos diabéticos.
Até quando a população vai aceitar esse descaso? Quantas vidas precisarão ser colocadas em risco para que a prefeitura tome alguma atitude? Ou será que, para garantir o mínimo de dignidade, os diabéticos terão que se tornar prioridade em alguma licitação milionária?
Enquanto a resposta não vem, o caos continua. E quem precisa de saúde pública em Campo Grande segue aprendendo, da pior forma possível, que a prefeitura não está nem aí para sua sobrevivência.