
O desgoverno na saúde de Campo Grande ganhou mais um capítulo com a abertura de inquérito pelo Ministério Público Estadual para apurar o desvio de R$ 156 milhões. A promotora Daniella Costa da Silva, da 32ª Promotoria de Justiça, cobrou respostas da Sesau e até do presidente da Câmara, Epaminondas Neto, o Papy, que tratou o primeiro ofício como quem joga papel no lixo.
O valor astronômico teria sido retirado do Fundo Municipal de Saúde para pagar outras contas da prefeitura, enquanto a população amarga prateleiras vazias, postos sem médicos e hospitais em colapso. A denúncia partiu do Conselho Municipal de Saúde, presidido por Jader Vasconcelos, que classificou a manobra como uma pedalada mais grave do que a que derrubou Dilma Rousseff da Presidência da República.
Na prática, a prefeita Adriane Lopes usou dinheiro carimbado da saúde como cheque em branco para outras áreas, deixando de lado a obrigação de abastecer unidades, pagar dívidas e garantir insumos hospitalares. O rombo atinge diretamente pacientes da Santa Casa, que segue sem receber R$ 46 milhões da prefeitura, mesmo diante de alertas médicos de que vidas estavam em risco.
O histórico de denúncias só reforça a imagem de uma gestão improvisada. O vereador Landkmar Rios já havia percorrido postos e flagrado a falta de medicamentos antes mesmo da queda da ex-secretária Rosana Leite de Melo. O resultado foi o mesmo de sempre: promessas em palanque e abandono no dia a dia da população.
A insistência em ignorar ordens judiciais e descumprir compromissos coloca a prefeitura em rota de colisão com a legalidade. Adriane prefere apostar em decretos obscuros e remanejamentos questionáveis, enquanto o Ministério Público coleciona motivos para pedir punições severas.
O mais escandaloso é a omissão da Câmara Municipal. Em vez de fiscalizar, Papy e seus aliados tratam o Legislativo como linha auxiliar da prefeita, legitimando o descalabro e silenciando diante de denúncias de rombos milionários.
A investigação aberta agora pode revelar a real dimensão do buraco financeiro e até onde foi a ousadia da atual gestão em manobrar recursos sagrados da saúde pública. A população, que já paga a conta em filas intermináveis e hospitais sucateados, quer saber onde está o dinheiro que sumiu.
Não se trata apenas de má gestão, mas de um ataque direto ao direito à vida e à dignidade. A cada remédio que falta, a cada cirurgia cancelada, o escândalo ganha rosto e nome nas vítimas que dependem do SUS.
A criação de comitês e discursos religiosos não disfarçam mais a realidade. Campo Grande convive com uma prefeitura que repete erros, ignora denúncias e transforma a saúde em campo fértil para pedaladas e improvisos.
Com a lupa do Ministério Público sobre a Sesau e sobre a própria Câmara, resta saber se finalmente virão respostas ou se a população continuará a pagar o preço do silêncio e da conivência política.