Campo Grande a 100 por hora… rumo ao buraco

Cem dias se passaram desde que a prefeita Adriane Lopes assumiu, com a promessa de colocar Campo Grande nos trilhos do progresso. A cidade, no entanto, não só descarrilou de vez, como parece estar descendo ladeira abaixo sem freio, sem condutor e, principalmente, sem rumo. A sensação entre os moradores é a de que a gestão perdeu o volante — ou talvez nunca tenha segurado.

Quem caminha pelas ruas da capital se pergunta se a cidade foi esquecida pela administração municipal ou se a atual prefeita adotou a política do “deixa como está para ver como é que fica”. Buracos se multiplicam como coelhos no asfalto, desafiando motoristas a verdadeiros rallys urbanos e transformando as avenidas em testes involuntários de suspensão automotiva.

A paisagem também mudou. Agora, o matagal é o novo verde urbano. As praças viraram selvas e os canteiros centrais, pastos improvisados. Há quem diga que se soltar uma vaca na Afonso Pena, ela não sentiria falta do campo. Pelo visto, a roçadeira da prefeitura entrou em férias coletivas — ou a administração esqueceu que grama cresce.

Na saúde, o cenário é ainda mais grave. Postos lotados, exames que nunca chegam, médicos exaustos e pacientes exauridos. O “atendimento humanizado” prometido virou um enigma digno de CPI: ninguém viu, ninguém sabe, ninguém encontra. Há relatos de pacientes que passaram tanto tempo esperando, que já estavam prontos para mudar o endereço do RG para a fila do posto.

Enquanto isso, a prefeita segue com discursos motivacionais e eventos solenes, como se vivesse em uma Campo Grande paralela, onde tudo é florido, asfaltado e eficiente. Talvez essa cidade exista — mas só no material de propaganda institucional pago com o nosso dinheiro.

Em alguns bairros, a situação é tão precária que os moradores têm feito mutirão para tapar buracos com entulho. Sim, a população faz o que a prefeitura deveria fazer — e sem licitação.

Na educação, o ano letivo começou com a mesma ladainha: falta de estrutura, merenda deficiente e professores desmotivados. Mas não se preocupe, a prefeita sorri nas redes sociais. Afinal, segundo a cartilha da atual gestão, uma boa foto vale mais que mil soluções.

Cem dias deveriam ser suficientes para mostrar a que veio. Mas, em vez de planos, metas ou qualquer sinal de desenvolvimento, o que se viu foi o aprofundamento dos problemas que já existiam. A esperança que restava está sendo soterrada junto com a dignidade da cidade.

Se os próximos dias seguirem no mesmo ritmo, Campo Grande não chegará ao fim do mandato — chegará ao fundo do poço. E, com sorte, encontrará por lá um plano de governo perdido entre as promessas e a realidade.

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