Adriane transforma decreto em castigo e ameaça direitos dos professores da Capital

A prefeita Adriane Lopes resolveu provar que sua gestão não consegue conviver com a palavra valorização. O novo decreto publicado no Diogrande nesta quinta-feira trata a educação como se fosse um peso e não um investimento, punindo professores convocados que apresentarem atestado médico e ameaçando retirar a gratificação de 10% de especialistas, mestres e doutores. É a pedagogia do retrocesso com chancela oficial.

O vereador Professor Riverton, correligionário da própria prefeita, não escondeu a surpresa e o descontentamento. Disse que a medida é um retrocesso e atinge uma conquista histórica da categoria. Quando até a base da prefeita estranha suas decisões, é porque a receita da insensatez está mesmo passando dos limites.

Segundo o decreto, se um professor temporário apresentar afastamento superior a 15 dias corridos por motivo de saúde, terá suas aulas revogadas e será jogado para o fim da fila de convocações. Em outras palavras, a mensagem é simples e cruel: fique doente e pague caro por isso.

Riverton foi direto ao ponto. Disse que a medida, em vez de proteger, vai deixar os professores ainda mais doentes. E ironizou que o Executivo deveria trabalhar com prevenção e valorização, mas prefere tirar conquistas em vez de ampliar direitos. É a cartilha da insensibilidade aplicada à educação pública.

Outro a engrossar a crítica foi o vereador Landmark Rios, que chamou a atenção para o desaparecimento do adicional de 10% para mestres e doutores. O benefício, segundo ele, já é um direito conquistado e deveria constar em edital de seleção. Sem esse reconhecimento, qual é a mensagem da prefeitura? Que estudar mais e se qualificar não serve de nada.

Landmark destacou ainda que a medida retira justamente o incentivo que valoriza os profissionais da educação. A categoria, segundo ele, deve se mobilizar e pressionar o Executivo para reverter a decisão. Afinal, não é possível sustentar uma política educacional que premia a precarização em vez da excelência.

A prefeitura justifica a medida como parte de uma regulamentação, mas no fundo é mais um capítulo da lógica do improviso que marca a atual gestão. O discurso de valorização dos profissionais não resiste nem à leitura das próprias páginas do Diário Oficial.

Enquanto isso, professores seguem enfrentando baixos salários, más condições de trabalho e agora o risco de perder benefícios ou ser punidos por ficarem doentes. É o tipo de política que chama atenção não pela inovação, mas pela capacidade de piorar o que já está ruim.

Campo Grande merecia um governo que apostasse em educação como caminho de futuro. Mas o que se vê é uma prefeita que prefere decretar a desvalorização como regra, deixando claro que, na sua gestão, a prioridade não é o professor nem o aluno, mas o corte de direitos travestido de regulamentação.

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