
A prefeita Adriane Lopes (PP) conseguiu mais uma façanha para a coleção: dar um calote milionário de R$ 8,4 milhões no transporte coletivo de Campo Grande. O resultado, como sempre, sobra no bolso do cidadão. O Consórcio Guaicurus, que reúne as empresas Campo Grande, Cidade Morena, São Francisco e Jaguar, já acionou a Justiça para cobrar a fatura e, de quebra, pede reajuste da tarifa técnica de R$ 6,17 para R$ 7,79 em apenas 15 dias.
Para quem pega ônibus todo dia, isso significa ver a passagem saltar de R$ 4,95 para R$ 6,23. Um aumento de 26,2%, embalado como “necessário” para salvar o sistema da falência. E tudo porque a gestão Adriane resolveu brincar de prefeita responsável e deixou de repassar o subsídio que deveria.
O consórcio não poupa palavras: a situação é “gravíssima”. E não é para menos. Quem está em colapso financeiro são as empresas, mas quem vai pagar a conta é o passageiro.
Para legitimar o pedido, o grupo se escora em um Termo de Ajustamento de Gestão (TAG) firmado com o Tribunal de Contas do Estado, que já havia apontado a validade da tarifa de R$ 7,79. E o TJMS, em decisão anterior, já havia determinado a sua aplicação. Traduzindo: Adriane empurrou o problema com a barriga e agora ele volta com força total.
Em sua petição, o consórcio ainda lembra que a inadimplência do Município agravou a situação emergencial, pedindo que a Justiça intime a Prefeitura sob pena de multa diária de R$ 200 mil. Um detalhe nada irrelevante para uma gestão que mal consegue explicar onde gasta o dinheiro público.
A desculpa oficial, se vier, provavelmente será recheada de palavras bonitas como “readequação”, “transição” e “desafios”. Mas o fato é cristalino: a prefeita não cumpriu o básico, que era pagar em dia o subsídio acordado. Em qualquer empresa séria, isso seria tratado como inadimplência grave.
O curioso é que, na propaganda, a Prefeitura vende uma cidade moderna, digital, em pleno desenvolvimento. Mas na realidade, o que existe é um transporte público parado no tempo e agora ameaçado de ficar ainda mais inacessível para quem depende dele para trabalhar e sobreviver.
Mais uma vez, o estilo de gestão de Adriane se resume a um tripé conhecido, que consiste em falta de planejamento, ausência de responsabilidade e desprezo pelo impacto social de suas decisões. Afinal, o transporte coletivo deveria ser direito do cidadão e instrumento de mobilidade urbana e não moeda de troca entre Prefeitura e empresários.
E quem paga o pato? O trabalhador que madruga no ponto de ônibus. Agora, além de tudo isso, terá de desembolsar mais caro porque a prefeita falhou em sua obrigação mais básica de honrar compromissos financeiros.
No fim das contas, o episódio escancara a incompetência de uma gestão que prefere discursos ensaiados a soluções concretas. Campo Grande está à mercê
de uma prefeita que transforma calote em rotina administrativa e transforma a vida do cidadão em um eterno sobe e desce, mas não de qualidade de vida.