Adriane faz o asfalto, mas esquece quem pagou a conta

Simone celebra obra de pavimentação executada com emenda de R$ 11 milhões de sua autoria quando foi senadora (Foto: Reprodução)

A prefeita Adriane Lopes (PP) até posa para fotos em canteiros de obras e tenta capitalizar politicamente cada metro de asfalto, mas a ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB), resolveu colocar os pingos nos is e os carimbos nos repasses. Em visita ao Residencial Ramez Tebet, na saída para São Paulo, Simone não apenas lembrou que a verba de R$ 11 milhões veio do Governo Lula, como também deixou claro que a prefeita se esqueceu (convenientemente) de agradecer. Afinal, gratidão por recurso federal não combina com alinhamento bolsonarista, não é mesmo?

A obra em questão, aguardada há mais de uma década pelos moradores da região, está sendo executada em etapas pela prefeitura, mas com recursos garantidos pela então senadora Simone Tebet e liberados pelo Governo Federal através dos ministérios das Cidades e do Desenvolvimento Regional. A prefeita, porém, parece ter desenvolvido uma espécie de alergia política: evita citar Lula, foge de eventos com o presidente e omite a origem do dinheiro que sustenta o asfalto que ela quer chamar de seu.

Simone, por outro lado, foi direta e transparente. “Como senadora, pude dar minha contribuição à prefeitura para a realização de obras de asfalto e drenagem no bairro que recebeu o nome do meu pai”, declarou. Em vídeo publicado nas redes sociais, a ministra caminha com o secretário Marcelo Miglioli e mostra a realidade do bairro que sofre há anos com a lama e a poeira. “Há uma década que essas pessoas pedem drenagem e asfalto. Não aguentam mais perder tudo nas chuvas”, afirmou.

A narrativa da prefeita, no entanto, é outra. Nas placas, a obrigatoriedade de indicar a fonte do recurso federal é cumprida com o mínimo de visibilidade possível. Em seus discursos, Adriane se limita a agradecer o governador Eduardo Riedel (PSDB), como se os milhões do Governo Lula tivessem caído do céu ou brotado das calçadas de Campo Grande. A conta, ao que tudo indica, não inclui os créditos.

A estratégia de apagar a presença do Governo Federal nas obras municipais faz parte de uma postura recorrente de Adriane Lopes desde que assumiu o Paço Municipal. Em mais de uma ocasião, a prefeita inventou compromissos de última hora para evitar dividir palanque com o presidente da República em eventos realizados na Capital. Afinal, admitir que a gestão petista colabora com a cidade não cabe no marketing da prefeita da extrema-direita.

Mas a realidade é insistente. Desde que Lula assumiu, a prefeitura retomou obras paradas, como escolas municipais, unidades de saúde e até a revitalização da Avenida Ernesto Geisel — esta última com R$ 21 milhões do Governo Federal. Ainda assim, a prefeita tenta pintar a cidade com as cores do negacionismo institucional, como se Campo Grande vivesse de doações invisíveis.

A atuação da ministra Simone Tebet desmascara a tentativa de Adriane de reescrever os fatos. Ao assumir publicamente a autoria do repasse e dar nome aos bois — no caso, ao presidente que liberou os recursos — a emedebista impõe um freio na narrativa da prefeita.

Enquanto isso, os moradores do Ramez Tebet celebram o asfalto, mas talvez não saibam quem realmente possibilitou a obra. E Adriane, entre um compromisso protocolar e outro “inadiável”, segue fazendo de conta que o Governo Federal não existe, mesmo com asfalto novo debaixo dos pés e placas obrigatórias fincadas no chão.

Resta saber até quando essa tentativa de apagar Lula da paisagem urbana vai se sustentar. Porque o asfalto pode ser da prefeitura, mas o dinheiro, esse, não tem como esconder por muito tempo.

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