
A mais nova pesquisa do Instituto Ranking Brasil trouxe à tona uma verdade incômoda para quem vive em Campo Grande. A “gestão Adriane Lopes” não é mais apenas um problema municipal, virou dor de cabeça estadual. A prefeita conseguiu o feito raro de colocar sua própria inércia entre os maiores problemas de Mato Grosso do Sul, empatando com temas como saúde e segurança. O resultado é um pedido coletivo de socorro no gabinete de Eduardo Riedel.
Mais de 13% dos entrevistados apontaram que as dificuldades enfrentadas pelos campo-grandenses precisam ser resolvidas com ajuda do governo do Estado. E não é porque Riedel falhou, mas porque Adriane parou. A capital, que deveria ser vitrine de eficiência, virou laboratório de improvisos. Enquanto o governador tenta equilibrar as contas do Estado e investir em todas as regiões, a prefeita coleciona buracos, protestos e descrédito.
O colapso é visível a olho nu. Na saúde, o caos virou rotina. Faltam remédios, médicos, exames e, cada vez mais, paciência. Moradores imploram por atendimento básico. As redes sociais são um desfile de reclamações e imagens de filas intermináveis, unidades sucateadas e promessas que se dissolvem no ar. O sistema municipal de saúde é hoje o espelho de uma gestão que não sabe planejar e tampouco ouvir.
A economia local também sangra. A prefeita Adriane, em mais uma de suas medidas geniais, demitiu cerca de 300 trabalhadores de programas sociais a dois meses do Natal. Famílias inteiras, que dependiam de um salário mínimo e uma cesta básica, foram jogadas no olho da crise, tudo em nome de um corte de 20% nas despesas. O curioso é que o arrocho veio meses depois de reajustes salariais concedidos à própria prefeita, à vice e aos secretários.
Se o objetivo era equilibrar as contas, Adriane conseguiu desequilibrar o que restava de confiança. A cidade que já lutava contra o desemprego agora enfrenta uma onda de desalento social. Famílias que antes estavam em programas de inclusão agora engrossam a fila da vulnerabilidade, e o poder público, que deveria protegê-las, virou parte do problema.
Como se não bastasse o drama humano, a capital ainda convive com a volta triunfal dos buracos. Ruas e avenidas, que deveriam estar preparadas para o período de chuvas, estão esfarelando em meio às tempestades. Campo Grande virou um queijo suíço de asfalto e promessas não cumpridas. O asfalto cede e a paciência também.
Enquanto isso, a população de rua cresce em ritmo alarmante. O centro da cidade, outrora movimentado e vibrante, hoje abriga famílias inteiras dormindo em calçadas e usuários de drogas circulando livremente. A falta de política social e de segurança urbana é um retrato do abandono institucional. Adriane parece ter terceirizado o problema, esperando que o governo estadual faça o trabalho que a prefeitura abandonou.
A pesquisa expôs o que os campo-grandenses já sabiam: falta gestão, sobra improviso. E no meio desse caos, a figura de Riedel surge como último fio de esperança. O governador, que enfrenta seus próprios desafios, virou o alvo das expectativas de quem ainda acredita que o Estado pode resgatar a capital do atoleiro administrativo.
Mas não há governo estadual que resista a uma prefeitura que afunda a maior cidade do Estado com tamanha incompetência. O caos urbano de Campo Grande contamina a percepção sobre todo o Mato Grosso do Sul, e Riedel, que tenta manter o Estado em movimento, acaba herdando a sombra da desordem municipal.
Adriane Lopes transformou Campo Grande em um problema de todos, menos dela. E enquanto o povo pede socorro a Riedel, a prefeita segue distribuindo sorrisos e decretos, como se governar fosse uma sessão de fotos. O resultado é uma cidade em colapso e um Estado obrigado a pagar a conta do descaso.