
“Não é apenas uma estrada. É um corredor de desenvolvimento que vai aproximar economias, gerar empregos e integrar culturas. O Brasil precisa olhar para o Pacífico com a mesma atenção que sempre teve com o Atlântico”. (Nelsinho Trad).
A Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado aprovou o Projeto de Decreto Legislativo 655/2025, que ratifica a Convenção Aduaneira TIR, tratado internacional que simplifica o trânsito de cargas entre países. O parecer favorável foi do senador Nelsinho Trad (PSD-MS), que destacou o avanço como passo decisivo para consolidar a Rota Bioceânica — corredor que ligará o Centro-Oeste brasileiro ao Oceano Pacífico.
Segundo o parlamentar, a adesão ao sistema TIR permitirá que os caminhões cruzem fronteiras sem a necessidade de paradas em cada aduana. “A Rota Bioceânica só será plenamente viável se o Brasil operar no mesmo regime aduaneiro que nossos vizinhos. A adesão ao TIR é o que vai permitir essa fluidez”, afirmou Trad.
O sistema TIR (Transports Internationaux Routiers) funciona como um passaporte alfandegário único, com inspeção e lacre das cargas apenas na origem e no destino final. O modelo, adotado em mais de 80 países, reduz em até 80% o tempo de travessia e corta custos operacionais, tornando o transporte mais ágil e seguro.
Na prática, o novo regime aduaneiro pode encurtar em até 17 dias o trajeto das exportações brasileiras com destino à Ásia e reduzir em cerca de 30% o custo do frete em comparação à rota tradicional pelo Porto de Santos. “Essa convenção é o elo que faltava para tornar a Rota Bioceânica realmente competitiva”, reforçou o senador e presidente da CRE.
Com mais de 3 mil quilômetros de extensão, o corredor ligará Campo Grande (MS) aos portos do norte do Chile, passando por Paraguai e Argentina. Além de impulsionar o agronegócio, a rota deve fortalecer a integração econômica e cultural entre os países da América do Sul.
Para Nelsinho Trad, o projeto representa mais do que um avanço logístico. “Não é apenas uma estrada. É um corredor de desenvolvimento que vai aproximar economias, gerar empregos e integrar culturas. O Brasil precisa olhar para o Pacífico com a mesma atenção que sempre teve com o Atlântico”, afirmou.
Após a aprovação na comissão, o projeto segue para o Plenário do Senado e, em seguida, à promulgação pelo Poder Executivo. A expectativa é que as primeiras operações completas sob o novo regime comecem em 2026, marcando uma nova fase no comércio sul-americano.