Adriane leva Campo Grande ao sufoco fiscal

Campo Grande chegou ao limite do descontrole financeiro sob o comando da prefeita Adriane Lopes. A relação entre despesas e receitas correntes atingiu 97,08% nos últimos 12 meses, ultrapassando o patamar de 95% estabelecido pelo artigo 167 A da Constituição Federal para o acionamento de mecanismos de ajuste fiscal.

Os números revelam uma administração praticamente sem espaço para respirar. De cada R$ 100 arrecadados pelo município, R$ 97,08 já estão comprometidos com despesas correntes. Em termos absolutos, foram R$ 6,359 bilhões em receitas contra aproximadamente R$ 6,174 bilhões consumidos pela manutenção da máquina pública.

Uma cidade não chega a esse ponto por acidente ou surpresa. O sufoco fiscal é resultado de escolhas políticas, falta de planejamento, crescimento desordenado das despesas e incapacidade de estabelecer prioridades. A gestão Adriane gastou até encostar no teto e agora apresenta medidas de contenção como se estivesse reagindo a um problema criado por terceiros.

A Prefeitura menciona a instabilidade da arrecadação e o aumento da demanda provocado pelas síndromes respiratórias, mas essas circunstâncias não apagam a responsabilidade de quem administra um orçamento bilionário. Imprevistos existem em qualquer governo e justamente por isso planejamento, reservas e controle rigoroso dos gastos são indispensáveis.

O mais preocupante é que o ajuste poderá atingir despesas com pessoal, criação de cargos, concursos públicos, alterações de carreira e novas obrigações. Mais uma vez, o risco é que servidores e cidadãos sejam chamados a pagar pela desorganização de uma gestão que perdeu o controle das próprias contas.

Nem mesmo as medidas anunciadas foram detalhadas. O relatório reconhece o problema, promete acompanhamento a cada dois meses, mas não esclarece onde haverá cortes, quais despesas serão revistas e como a Prefeitura pretende retornar ao patamar constitucional. Como sempre, zero transparência.

A gravidade aumenta quando se observa que o orçamento atualizado do município ultrapassa R$ 7,38 bilhões e que R$ 5,68 bilhões já haviam sido empenhados até junho. Não falta dinheiro em Campo Grande. O que falta é uma administração capaz de transformar uma arrecadação gigantesca em serviços eficientes e equilíbrio financeiro.

Somente a Saúde possui orçamento atualizado de R$ 2,228 bilhões, enquanto a Educação conta com aproximadamente R$ 1,615 bilhão. São valores expressivos que exigem resultados, controle e responsabilidade, não apenas números lançados em relatórios enquanto a população enfrenta dificuldades nos serviços essenciais.

A arrecadação mensal aumentou entre abril e junho, chegando a R$ 527 milhões no último mês do semestre, mas nem isso foi suficiente para retirar o município da zona crítica. O dado enfraquece qualquer tentativa de atribuir o problema exclusivamente à receita e reforça a necessidade de investigar a qualidade, a prioridade dos gastos e para onde está indo o dinheiro público.

Adriane Lopes conseguiu transformar uma capital com orçamento bilionário em uma cidade fiscalmente sufocada. Agora, antes de impor sacrifícios aos servidores e reduzir serviços à população, precisa explicar onde o dinheiro foi gasto, quem se beneficiou das escolhas feitas e por que o contribuinte deve suportar as consequências de uma gestão marcada pelo caos.

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