Com tarifaço em vigor, Nelsinho Trad cobra saída para o sebo bovino de MS

“Desde o ano passado, quando o presidente Donald Trump sinalizou a imposição de tarifas sobre produtos brasileiros, tenho trabalhado, à frente da Comissão de Relações Exteriores, para buscar uma solução definitiva para essa questão. Conseguimos avanços importantes com a ampliação da lista de exceções e, na semana passada, a reinclusão do ferro-gusa, o que demonstra que o diálogo produz resultados”, disse o senador.

O senador e presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado Federal destacou que ainda há produtos relevantes de fora da lista.

“O sebo bovino é um deles, especialmente pela importância que tem para Mato Grosso do Sul. Continuo acompanhando de perto as negociações, em articulação com o Poder Executivo, o setor privado e o Legislativo norte-americano, defendendo a preservação da competitividade das exportações brasileiras”, afirmou.

A sobretaxa de 25% sobre as exportações brasileiras aos Estados Unidos começou a valer nesta quarta-feira (22). A decisão é resultado da investigação do USTR, que acusou o governo brasileiro de “práticas injustificáveis, desarrazoadas ou discriminatórias”. Etanol, Pix e desmatamento ilegal estão entre as motivações citadas.

Para Mato Grosso do Sul, o impacto é limitado. Dados do Observatório da Indústria da Fiems mostram que apenas 2,77% dos itens vendidos pelo Estado aos EUA serão tarifados.

Entre janeiro e junho de 2026, o Estado exportou 437,3 mil toneladas aos Estados Unidos, com movimentação superior a US$ 370,5 milhões, o que equivale a mais de R$ 1,8 bilhão, conforme a cotação do dólar nesta quarta-feira (22).

Principais produtos de MS ficaram de fora da taxa

Os três principais produtos exportados por MS aos EUA foram isentos: carne bovina desossada e congelada, ferro-gusa fundido bruto e celulose. Juntos, eles representam 96% das vendas do Estado ao país norte-americano.

A carne bovina responde por 51,4% das exportações, seguida de ferro-gusa, com 20%, e celulose, com 16%. O ferro-gusa só entrou na lista de isenções na última ampliação feita pelo governo norte-americano nesta quarta.

Sebo bovino lidera lista dos taxados

O principal produto sul-mato-grossense atingido é o sebo bovino fundido, usado na produção de biodiesel, sabões e ração. No primeiro semestre, o Estado vendeu 9.039 toneladas do insumo aos EUA, movimentando US$ 9.805.261.

Outros itens também entraram na taxação, mas com valores bem menores:

  • Concentrados de proteínas: 0,03%, US$ 127.050, 38 toneladas;
  • Maiôs e biquínis de malha femininos: 0,03%, US$ 101.438;
  • Ovos de aves sem casca, secos: 0,03%, US$ 95.880, 120 toneladas;
  • Outro álcool etílico não desnaturado: 0,02%, US$ 83.505, 100 toneladas;
  • Colas e adesivos: 0,01%, US$ 18.978.

No total, produtos como sebo, biquínis e maiôs renderam a MS US$ 10.232.112 no primeiro semestre de 2026.

Ainda conforme o Observatório da Indústria, painel disponibilizado pela Fiems, os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Estado.

A China é a principal parceira, responsável pela compra de 1,8 milhão de toneladas, o que representa US$ 1,3 bilhão apenas nos primeiros seis meses deste ano.

Neste período, as exportações totais do Estado acumulam movimentação de US$ 3,83 bilhões. Nos primeiros seis meses do ano passado, o valor era de US$ 3,78 bilhões. Ou seja, as exportações do primeiro semestre de 2026 superam o registrado em 2025.

As exportações aos Estados Unidos também subiram neste período, apesar dos imbróglios na política internacional entre os dois países. Entre janeiro e junho de 2025, o comércio internacional com o país norte-americano movimentou US$ 3,2 milhões, ante US$ 3,7 milhões no mesmo período deste ano.

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