
O agravo já bateu à porta do Tribunal Superior Eleitoral e ameaça o milagre jurídico que salvou Adriane Lopes e Camilla Nascimento da cassação por compra de votos. Dois recursos subiram, um do PDT com o PDC e outro do Ministério Público Eleitoral, e ambos foram distribuídos à ministra Estela Aranha, que dirá se os agravos passam do balcão de admissibilidade para o julgamento de mérito, provável apenas em 2026. O enredo tem de tudo. Há juiz de 1º grau que viu captação ilícita e mandou cópias para a polícia. Há um TRE que, por cinco a dois, manteve os mandatos mesmo com a maioria admitindo a compra de votos. E há um presidente do TRE que levou quatro meses para negar o envio ao TSE. Agora o jogo muda de campo e a Justiça Eleitoral terá a chance de decidir se Campo Grande continuará refém de um contorcionismo normativo ou se a regra vale para todos, sem desculpas e sem tapete vermelho para quem confunde fé pública com fé no improvável.