
Na merenda escolar de Campo Grande, o cardápio pode até ser pobre, mas o esquema é gourmet. Toda a compra passa pela cobiçada Superintendência de Alimentação Escolar (Suale), onde o controle — dizem nos bastidores — é exercido com mão firme pelo deputado Lídio Lopes, marido da prefeita Adriane. Empresário só entra se for previamente chancelado, e o resto é receita velha: superfaturamento de um lado, entrega pela metade do outro. Enquanto as crianças recebem menos do que foi pago, tem gente enchendo o prato. E agora, a bomba está prestes a estourar, até porque desmanchar esse esquema é fácil demais: basta o Gaeco aparecer nos almoxarifados quando as cargas de merenda estiverem chegando. Vai se deparar com uma realidade indigesta: todas as cargas incompletas. Quando o cheiro da comida estragada se mistura ao da corrupção, o destino de alguns pode ser mesmo a cadeia.