
O deputado João Henrique Catan tem assumido, com frequência, o papel de paladino da moralidade na política sul-mato-grossense. Discursos duros, críticas contundentes e a postura de quem se apresenta como fiscal permanente da conduta alheia.
O problema é que, na política, memória seletiva costuma ser um risco.
Talvez alguém precise lembrar ao deputado que o histórico político da própria família também carrega capítulos que o Estado não esqueceu. O nome do avô, Marcelo Miranda, ex-governador de Mato Grosso do Sul, ainda aparece nas conversas quando se fala no rombo deixado nos cofres públicos durante aquela gestão — um episódio que marcou profundamente a história administrativa do Estado.
E não foi apenas no governo estadual que o nome de Marcelo Miranda esteve cercado de controvérsias. Quando ocupou a superintendência do DNIT, as críticas e questionamentos também surgiram, reforçando a percepção de que os problemas administrativos voltaram a se repetir.
Por isso, antes de subir à tribuna empunhando a espada da moralidade contra todos os lados, talvez fosse prudente lembrar que a história política não começa hoje.
Na política, quem tenta vestir a capa de juiz absoluto corre sempre o risco de ver o passado da própria família reaparecer.
E quando a memória resolve voltar…
ela costuma trazer mais fatos do que discursos conseguem esconder.