Latifúndio verbal

O plenário da Assembleia virou palco de um daqueles momentos em que a máscara ideológica escorrega e o bastidor aparece sem filtro. O deputado Zé Teixeira resolveu mirar no colega Zeca do PT e soltou, sem cerimônia, o rótulo que ecoou no plenário: “fazendeirão”.

A cutucada não foi só retórica. Foi quase uma aula prática de contradição política. Afinal, no discurso de palanque, latifúndio costuma ser tratado como pecado capital. Mas quando o debate esquenta dentro da Assembleia, o tema vira munição para expor incoerências que muitos preferem manter escondidas debaixo do tapete.

Nos corredores, teve deputado que não segurou o riso. A cena parecia aquelas conversas de bastidor onde todo mundo sabe a verdade, mas poucos têm coragem de dizer em voz alta.

No fim das contas, ficou a impressão de que o plenário assistiu a algo raro: um latifúndio ideológico sendo medido em hectares de discurso e arrobas de patrimônio.

E a lição que circulou pelos grupos de WhatsApp da política foi simples:
na política, tem gente que faz discurso contra fazendeiro… mas não dispensa um bom pedaço de terra. 🌾🐂

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