Justiça sob encomenda

Enquanto a toga pesa para uns, para o desembargador Sideni Pimentel ela servia como chave de acesso a favores nada republicanos — como quem encomenda um combo no drive-thru da moralidade pública. De acordo com a Polícia Federal, o magistrado usava o cargo para pedir desde melhorias em estradas até limpeza de açudes na própria fazenda, passando por pressões a juízes de primeira instância para “agilizar” decisões judiciais. Tudo devidamente registrado em mensagens de WhatsApp, como se tráfico de influência fosse apenas mais uma funcionalidade do aplicativo. A Operação Ultima Ratio pode ter afastado Pimentel do cargo, mas o cheiro de privilégio irrigado com dinheiro público continua mais forte que os sete açudes do doutor.

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