
A prefeita Adriane Lopes começou a semana testando os limites da paciência dos servidores. Um decreto que reduz o expediente dos órgãos municipais de oito para seis horas diárias virou desculpa para cortar o salário de centenas de professores lotados na Secretaria Municipal de Educação. O golpe veio sem aviso, sem diálogo e sem vergonha. Na sexta, a prefeita jurava à ACP que não haveria cortes e que o decreto visava apenas enxugar gastos administrativos. Três dias depois, a tesoura apareceu no contracheque. Cerca de 400 educadores foram dispensados antes do meio-dia e descobriram que a matemática da gestão Adriane é simples: quem trabalha menos ganha menos, mesmo que o “menos” tenha sido imposto pelo próprio poder público. Enquanto a prefeita chama de ajuste, os professores chamam de desrespeito. O discurso de valorização da educação ficou no papel junto com a promessa de não mexer nos salários. É a economia criativa aplicada à folha de pagamento dos que deveriam ser valorizados.