
O juiz Márcio Alexandre da Silva levou ao CNJ uma denúncia que coloca o Tribunal Regional do Trabalho em saia-justa. O magistrado alega que foi afastado justamente enquanto conduzia milhares de processos milionários contra a JBS e que, “por coincidência” a filha do desembargador – autor da acusação contra ele – estaria em tratativas para ser contratada pela empresa interessada. O denunciante, agora com tempo livre, fez o que a administração pública raramente faz: organizou tudo em planilhas, apontou erros, arquivamentos suspeitos e prejuízos superiores a R$ 29 milhões a trabalhadores e aos cofres públicos. O desembargador nega. A JBS silencia. E o CNJ respira fundo. No fim, só resta uma pergunta desconfortável pairando no ar: quem realmente está sendo injustiçado nessa história grotesca da Justiça que jura ser cega, mas vive tropeçando justamente quando o réu é grande demais para ser ignorado.