
O que era crise virou escândalo. A reunião do Conselho Municipal de Saúde escancarou aquilo que a gestão tenta empurrar para debaixo do tapete: fornecedores da saúde estão há até um ano sem receber da Prefeitura de Campo Grande.
Não é atraso pontual. É colapso administrativo.
Empresas que fazem coleta de exames, lavanderia hospitalar e fornecimento de refeições — muitas dependentes exclusivamente dos contratos com o município — afirmam estar praticamente quebradas. Demissões já começaram. Capital de giro evaporou. Dívidas acumulam. E enquanto isso, medicamentos e insumos correm risco de desabastecimento.
Como se não bastasse o secretário municipal ter chamado servidores da SESAU de “preguiçosos” dias atrás, agora a estratégia foi outra: jogar a culpa nos fornecedores. Não funcionou. Eles estavam lá. Foram ouvidos. E rasgaram o verbo.
Relatos dão conta de constrangimento para tentar receber valores atrasados, com empresários tendo que “se humilhar” em gabinetes da área financeira para tentar liberar qualquer parcela. O ambiente é de revolta aberta.
Nos bastidores, o apelido já circula sem cerimônia:
“Prefeita caloteira.”
Quando fornecedores quebram, quem paga a conta é o paciente.
Quando a gestão perde o controle financeiro, a saúde entra em UTI.
Campo Grande não aguenta mais improviso, desculpas e transferência de culpa.
Saúde pública não é favor. É obrigação.