
A prévia da inflação oficial do país desacelerou pelo segundo mês consecutivo. Em junho, o IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15) ficou em 0,41%, abaixo dos 0,62% registrados em maio e dos 0,89% de abril.
Os dados divulgados nesta quinta-feira (25) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apontam que, apesar da desaceleração mensal, o índice acumulado em 12 meses subiu para 4,80%, acima dos 4,64% registrados até maio, permanecendo acima da meta contínua de inflação do governo, de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.
Os grupos Alimentação e bebidas e Habitação responderam por cerca de dois terços do resultado do mês, com impactos de 0,16 e 0,11 ponto percentual, respectivamente.
O grupo Alimentação e bebidas registrou alta de 0,74%, desacelerando em relação aos 1,38% de maio, mas ainda foi o principal responsável pela inflação de junho.
A alimentação no domicílio subiu 0,87%, bem abaixo dos 1,73% registrados no mês anterior. Entre os produtos com maiores altas, estão:
No acumulado do primeiro semestre, tomate (103,84%), cenoura (103,10%) e batata-inglesa (100,20%) mais que dobraram de preço, reflexo principalmente das condições climáticas.
Por outro lado, alguns alimentos ficaram mais baratos, como o café moído (-3,69%) e as frutas (-0,96%). Já a alimentação fora do domicílio também perdeu força, passando de 0,51% para 0,40%. As refeições subiram 0,39%, enquanto os lanches tiveram alta de 0,45%.
O grupo Habitação desacelerou de 1,03% para 0,72%, mas a energia elétrica residencial foi o item que mais pressionou o índice individualmente, com alta de 2,04% e impacto de 0,08 ponto percentual.
Segundo o IBGE, o aumento foi provocado principalmente pela vigência da bandeira tarifária amarela, que acrescenta R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos, além dos reajustes nas tarifas de energia em Belo Horizonte, Recife, Fortaleza e Salvador.
Além disso, houve alta nas tarifas de água e esgoto (0,35%) e no gás encanado (0,13%).
O grupo Transportes apresentou queda de 0,03%, influenciado principalmente pela redução de 1,22% nos combustíveis.
Apenas o gás veicular ficou mais caro (3,78%). Já o etanol (-5,30%), a gasolina (-0,73%) e o óleo diesel (-1,47%) registraram recuos. Etanol e gasolina tiveram os maiores impactos negativos individuais sobre o índice (-0,04 ponto percentual cada).
Na direção oposta, as passagens aéreas subiram 7,24%, sendo o principal item de alta dentro do grupo.
O grupo Saúde e cuidados pessoais avançou 0,47%, puxado pelos artigos de higiene pessoal (1,03%), especialmente os perfumes (2,22%).
Os planos de saúde tiveram alta de 0,35%, refletindo a incorporação do reajuste anual de 5,11% autorizado pela ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar).
Variação dos grupos em junho:
O IPCA-15 é considerado a prévia da inflação oficial do país e utiliza praticamente a mesma metodologia do IPCA, índice usado como referência para a política de metas de inflação. A principal diferença está no período de coleta dos preços. Nesta edição, os dados foram levantados entre 16 de maio e 16 de junho.