
“Os dois sindicatos nos receberam bem e foram propositivos em termos de resolução; ou seja, estamos todos no mesmo barco”, comentou Luiz Alberto Kanamura, gestor provisório da Santa Casa de Campo Grande sobre as reuniões que têm acontecido junto aos sindicatos de médicos e enfermagem, após denúncias de atrasos de salário e sobrecarga de trabalho.
Em relação aos enfermeiros e técnicos de enfermagem do hospital, Kanamura afirmou que não havia sobrecarga por falta de profissionais, mas sim porque passaram a ser atribuídos à categoria trabalhos que antes eram executados por um laboratório contratado. Após o rompimento do contrato, foram estes profissionais que passaram a fazer coletas e exames laboratoriais, por exemplo.
“Isso eu já negociei com um laboratório e já está sendo instituída uma equipe de coleta que não envolve a enfermagem. Então, isso já está solucionado, tá? Que era uma das coisas que entraram no critério de trabalho. O sindicato já está sabendo”, afirmou.
Para contextualizar, todas essas reclamações foram levadas pelo Siems (Sindicato dos Trabalhadores da Área de Enfermagem) ao MPT-MS (Ministério Público do Trabalho de Mato Grosso do Sul) na última segunda-feira, 5 de outubro. Durante a reunião, foram discutidas as condições de trabalho da enfermagem após a Santa Casa encerrar o contrato com o laboratório, aumentando a carga horária desses profissionais.
Além disso, a categoria vinha realizando o transporte de pacientes, uma função atribuída aos maqueiros. Inclusive, segundo o sindicato, houve casos de profissionais suspensos por se recusarem a realizar essa função.
Então, ficou definida a contratação de 13 coletores, com a promessa de novas contratações para o setor, mas ainda sem prazo definido. Enquanto as novas contratações não ocorrem, a unidade do trauma, por exemplo, continuará defasada, com profissionais deixando seus postos de trabalho para realizar tarefas que não lhes cabem.
No pronto-socorro, nas alas de cirurgia, clínica médica e hemodiálise, existem maqueiros. Porém, nas UTIs, pacientes críticos continuarão sendo transportados por uma equipe que atualmente é formada por médico, enfermeiro e fisioterapeuta. O plano para sanar este déficit segue em curso.
Já com relação ao sindicato dos médicos, que cobra o pagamento de salários atrasados dos profissionais PJs, Kanamura disse que se trata de uma dívida passiva e, portanto, é necessário que seja feita uma auditoria.
“Tenho conversado com todas as especialidades. Falei em uma reunião geral com o corpo clínico que a gente vai fazer essa auditoria; já está contratada, já deve começar na semana que vem pra ver se pagamos dentro das possibilidades da Santa Casa ou com uma negociação com o Estado e o Município, porque isso vai precisar de aporte de dinheiro”, afirmou.
Vale lembrar que os salários atrasados de médicos de contrato PJ já somam uma dívida de R$ 32 milhões para a Santa Casa. Este valor corresponde a aproximadamente 300 médicos.
Segundo Marcelo Santana Silveira, presidente do Sinmed-MS (Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul), chegou a existir entre os médicos da Santa Casa — em sua maioria anestesiologistas — o pensamento de paralisação e até mesmo demissões pelos atrasos salariais, que já somam cinco meses.
Porém, a promessa dessa nova negociação fez com que eles recuassem e continuassem no hospital com a esperança de receber o valor que a Santa Casa deve a eles.