MPMS abre 2º inquérito para apurar situação crítica e déficit milionário na Santa Casa

Paciente com sequelas e setor fechado

Conforme informações do NAES, o serviço de neurocirurgia atualmente é realizado por empresa contratada por outro Estado e o contrato não estaria sendo cumprido na integridade. Enquanto a previsão é de quatro médicos plantonistas durante o dia, apenas dois estavam no horário.

“Segundo consta, o contrato anterior com médicos de Campo Grande era menos oneroso para a Santa Casa e funcionava muito melhor, já que os médicos eram melhor qualificados. Os médicos neurocirurgiões que atualmente prestam serviço na Santa Casa não residem em Campo Grande e, portanto, não possuem vínculos com os pacientes, o que acaba por prejudicar o atendimento”, diz o termo elaborado pelo NAES.

Além disso, um dos materiais em falta é usado para cirurgia de aneurisma cerebral. “Cita-se o caso de uma paciente (internada na CTI 7) que não foi operada nem embolizada no tempo correto e, portanto, poderá apresentar sequelas”, revela.

Um setor inteiro precisou ser transferido para outro por conta de um ar-condicionado estragado cuja peça para reposição custa R$ 100 mil. Falta de manutenção também causa problemas em equipamentos de outros setores.

Outro fator elencado é a média de permanência dos pacientes, que aumentou significativamente, inviabilizando as cirurgias eletivas (aquelas com menor urgência). O mau funcionamento do setor de lavanderia foi alvo de reclamações, pois em determinado momento não houve roupa para pacientes e profissionais de saúde.

santa casa

Di´vidas e déficit de R$ 13 milhões mensais

Médicos com CNPJ, autônomos e diversas empresas (como laboratórios) estão sem receber há meses e a dívida com profissionais já chega a R$ 27 milhões. Conforme o NAES, a Santa Casa fez empréstimo de R$ 269 milhões, apesar de confirmar que os repasses do Estado e de Campo Grande estavam em dia – entretanto, seriam insuficientes.

“Consta que tem havido grande déficit mensal para operacionalização da Santa Casa (algo em torno de R$ 13 milhões de reais/mês)”, cita o núcleo. Ao Jornal Midiamax, a Santa Casa de Campo Grande confirmou o déficit milionário.

Conforme Estudo de Viabilidade para Contratualização da Santa Casa, a média mensal de custo de operalização da Santa Casa gira em torno de R$ 45,2 milhões, enquanto o faturamento é de R$ 31,9 milhões (restando o déficit de R$ 13 milhões).

“Em resposta às questões levantadas no inquérito civil, a Santa Casa de Campo Grande reconhece as dificuldades enfrentadas atualmente, incluindo o desabastecimento de medicamentos e insumos, bem como atrasos nos pagamentos. É crucial esclarecer as causas subjacentes a esses problemas”, diz o hospital à reportagem.

Além disso, o MPMS cita que, em reunião, a Santa Casa afirmou que não há reajuste financeiro desde 2022, o que ocasionou desequilíbrio econômico-financeiro e a crise atual. O documento de contratualização com a prefeitura de Campo Grande venceu em meados de 2024 e, desde então, há uma negociação para a elaboração de um novo documento.

Como o déficit afeta o maior hospital de MS?

A Santa Casa detalha que a carência de recursos resulta em problemas no abastecimento adequado de insumos e medicamentos e no pagamento de profissionais e fornecedores. Pagamentos estes que, segundo o hospital, têm levado a paralisações de serviços ambulatoriais e cirurgias eletivas.

Um dos itens que serão apurados no Inquérito Civil é o uso de equipamentos não padronizados. O hospital esclarece que a situação decorre do desabastecimento de insumos e dificuldade de comprar os itens com fornecedores.

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