Brasil atinge 20 milhões de pessoas com diabetes

O diabetes se mantém em evidência no Brasil, com 20 milhões de pessoas vivendo com a condição, segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD). O presidente da SBD, Ruy Lyra, alerta para o caráter silencioso da doença: “Muitos não sabem dessa condição, o que pode acarretar complicações sérias, como problemas renais e cardiovasculares, neuropatias e até cegueira”. Outro ponto de atenção é o pré-diabetes, estágio em que a pessoa apresenta grande risco de desenvolver diabetes tipo 2.

O crescimento dos casos está diretamente relacionado ao aumento da obesidade e do sedentarismo na população brasileira. A situação é tão preocupante que a SBD revisou suas diretrizes e agora recomenda que os exames de glicemia comecem aos 35 anos, ante os 45 anos indicados anteriormente.

Novembro marca mês de conscientização sobre o diabetes, reforçando a importância do diagnóstico precoce e do controle adequado. Existem diferentes tipos de diabetes: o tipo 1 é uma doença autoimune, geralmente diagnosticada na infância e adolescência, que requer uso de insulina desde o início; o tipo 2 corresponde a 90% dos casos, associado a fatores genéticos, obesidade e sedentarismo; e o diabetes gestacional, que ocorre durante a gravidez.

A atenção especial é demandada durante a gestação, com a Organização Mundial da Saúde (OMS) emitindo diretrizes específicas sobre saúde materna e perinatal. Essas recomendações são voltadas a profissionais que atuam na assistência à gravidez, parto e pós-parto – incluindo obstetras, parteiras, endocrinologistas e educadores em diabetes – e visam aprimorar os protocolos de cuidado para mulheres grávidas, fortalecendo os sistemas de saúde para garantir assistência adequada neste período crítico.

O cenário brasileiro reflete a tendência global. O presidente da Federação Internacional de Diabetes (IDF), Peter Schwarz, participando do 25º Congresso da SBD, apresentou dados do Atlas da IDF que mostram 590 milhões de pessoas com diabetes no mundo, com projeção de atingir 853 milhões em 2050. “Os países de baixa renda são os mais afetados”, alertou Schwarz, destacando que “mais de 40% das pessoas desconhecem o diagnóstico”, conforme complementou Dra. Hermelinda Pedrosa, vice-presidente da IDF.

Um dos fatores menos conhecidos para o aumento dos casos foi destacado pelo presidente da IDF: “Estudos indicam que a poluição ambiental é uma das responsáveis pelo aumento dos casos de diabetes tipo 2 – um quinto de todos os casos do tipo 2 estão associados principalmente à resistência à insulina devido à poluição do ar”. Schwarz explicou que países menos desenvolvidos, que usam mais veículos movidos a óleo diesel, terão mais casos nos próximos anos, com projeções indicando que o número vai duplicar na África.

O acesso a medicamentos, especialmente à insulina, representa outro grande desafio global. No Brasil, o médico destacou que a SBD vem atuando junto ao governo para que pacientes recebam insumos mais modernos: “Também é muito importante que o SUS passe a fornecer novas tecnologias às pessoas com diabetes”. O momento exige atenção redobrada tanto para o diagnóstico precoce quanto para o controle adequado da condição que afeta milhões de brasileiros.

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