Pior prefeita do Brasil consegue só 7,5 mil votos para o marido na Capital

Lídio Lopes preservou a cadeira na Assembleia Legislativa, mas recebeu apenas 7.575 votos em Campo Grande, a cidade governada por sua esposa, Adriane Lopes. Para um casal com tamanha exposição política na Capital, o resultado está longe de representar uma consagração. A festa pode até caber no calendário familiar, mas o entusiasmo popular exige uma interpretação bem mais generosa.

No Estado, Lídio passou de 32.412 votos em 2022 para 20.801 em 2026. Perdeu 11.611 eleitores, uma queda de aproximadamente 35,8%. O quinto mandato veio acompanhado de um encolhimento expressivo. Comemorar é direito do deputado, porém, apresentar essa perda como demonstração de força seria um desaforo à matemática.

A ironia ganhou nome e sobrenome. Bruno Ortiz, crítico da gestão municipal, recebeu 8.790 votos em Campo Grande, superando Lídio em 1.215 votos. O influenciador não conquistou uma cadeira, mas teve mais apoio na Capital do que o marido da prefeita. Adriane pode festejar a derrota do adversário, desde que consiga ignorar esse detalhe constrangedor.

A votação oferece uma leitura política amarga, mas real para o casal. Sem a menor dúvida, o desgaste da administração municipal pesou sobre a candidatura de Lídio porque uma prefeitura bem avaliada seria uma vitrine valiosa. A gestão de Adriane, diante das pesquisas, funcionou como uma exposição permanente de problemas.

No ranking da AtlasIntel divulgado em dezembro de 2025, Adriane terminou na última posição entre os prefeitos das 26 capitais brasileiras, com apenas 14% de aprovação. É uma colocação que dispensa esforço de interpretação. Enquanto outros gestores disputavam reconhecimento, a prefeita de CampoGrande ocupava o último lugar.

O levantamento do Veritá, divulgado em janeiro de 2026, repetiu a posição e apontou somente 5,2% de aprovação. A pior avaliação entre os gestores das capitais apareceu novamente. Para uma administração que precisa demonstrar competência, colecionar a última colocação é uma especialidade particularmente cultivada por Adriane Lopes.

Em julho, a pesquisa do Instituto Ranking Brasil Inteligência registrou 94% de desaprovação e 85% de avaliação ruim ou péssima. Saúde, exames, médicos, medicamentos e buracos figuraram entre as principais reclamações. Afinal de contas, a cidade tem motivos de sobra para tanto descontentamento.

Diante desse cenário, é mais agradável contar mandatos na família do que explicar a rejeição à própria gestão. Mas o cidadão que enfrenta uma rua deteriorada ou espera atendimento não recebe benefício algum da permanência de Lídio na Assembleia.

Isso sem contar que a reta final da campanha ainda foi marcada pela prisão de José Antônio Pires de Souza, o Zé Bocão, assessor parlamentar de Lídio. Ele foi detido em Iguatemi, na noite de 30 de setembro, transportando R$ 127 mil em dinheiro vivo e materiais eleitorais do deputado. Um episódio grave demais para desaparecer atrás de fotografias de comemoração.

Segundo a Polícia Militar, o assessor teria oferecido R$ 5 mil a cada policial para impedir o encaminhamento da ocorrência à delegacia. A suspeita de tentativa de suborno tornou o flagrante ainda mais vergonhoso. A campanha ganhou uma exposição que nenhum candidato gostaria de incluir no material de divulgação.

O caso foi encaminhado à Polícia Federal sob suspeita de compra de votos. Agora, a prisão exige respostas sobre a origem e a finalidade dos valores e sua relação com a campanha. A vitória eleitoral não absolve suspeitas, não encerra investigação e não transforma perguntas legítimas em mera curiosidade.

Adriane pode até brindar ao quinto mandato do marido, mas Campo Grande tem muitas razões para cobrar, e os números deixam pouco espaço para arrogância. Lídio manteve a cadeira, perdeu milhares de votos e ficou atrás de um crítico da esposa na Capital. O casal conseguiu preservar um lugar no poder. Convencer a população de que merece estar ali continua sendo seu problema mais difícil.

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